#62 PÓ Viaja | Atacama | Escolhendo a agência e os passeios (com valores!)

Não consigo pensar em outra forma de começar este texto que não suspirando de saudades: ah, o Atacama…!

Como contei pra vocês nos outros posts da série #PÓviaja, conhecer o deserto era um sonho antigo meu e do Henrique, acalentado desde o dia em que assistimos a um vídeo e ficamos simplesmente hipnotizados com todas aquelas paisagens.

Ter a oportunidade de ver com os nossos próprios olhos tudo o que conhecíamos apenas em imagens foi uma das experiências mais incríveis que nós já tivemos a chance de viver. Por mais que nós já soubéssemos de certa forma o que esperar do lugar, nada  poderia nos preparar para a sensação de estar lá de fato. Foi surreal.

Já que nós não podemos nos dar ao luxo de viver para sempre no Atacama – pelo menos não ainda -, a opção que me resta é escrever sobre os dias que passamos lá. E hoje o post é sobre uma das partes mais importantes da viagem: a escolha da agência e dos passeios no deserto!

Se você está chegando no Parece Óbvio agora, leia aqui sobre como decidimos ir para Chile e aqui sobre a nossa ida a San Pedro de Atacama.

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Laguna Miscanti, nossa preferida no deserto (@henrique.raw)

Escolhendo a agência. Como eu já expliquei um poquinho no post sobre a chegada em San Pedro, eu optei por não seguir a dica de escolher uma agência estando lá – e já saí de casa com tudo contratado junto à Araya Atacama.

Já deixo claro desde o início que essa não era a opção mais barata. Além de ter escolhido uma empresa que oferecia um serviço diferenciado, o fato de não estar no lugar para negociar também pesou nos valores. Mas eu sabia disso, então não posso – e na verdade nem tenho do que – reclamar.

Se a sua ideia é economizar ao máximo e você não tem frescuras, opções mais baratas não vão faltar. Basta dar uma caminhada na Calle Caracoles para encontrar diversas agências e pessoas oferecendo passeios.

Eu não quis fazer isso por dois motivos: um, porque eu acredito mais em avaliações de outros viajantes do que me diz um vendedor – que geralmente está louco para fechar o negócio; e dois, porque justamente devido a essas avaliações, li muitos relatos de situações que eu não gostaria de passar no meio do deserto.

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Saindo do povoado para mais um dia de fortes emoções no deserto (@henrique.raw)

E aqui eu abro um parênteses: uma das queixas mais recorrentes nesses relatos é o fato de que a pessoa contrata o passeio junto a uma agência e, no dia combinado, o serviço é prestado por outra empresa – que pode ou não corresponder àquilo que ela esperava da contratada.

Segundo o que nos disseram, essa prática de “troca” de clientes é bastante comum no Atacama. A maior parte das agências da cidade faz isso. Por uma questão de otimização de recursos, as empresas se organizam de modo a ocupar todos os lugares de uma van, evitando assim que diversos carros saiam com assentos vazios.

Como eu não vivi essa experiência – pois a Araya não faz estas trocas – não posso falar se isso faz ou não faz diferença no passeio. Mas se você optar por contratar o serviço com outra agência, esteja preparado para talvez passar por isso.

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Nosso guia Francisco tirando altas fotos nos Ojos del Salar (@pareceobvioblog)

Parênteses devidamente fechado, voltemos ao meu relato. Agora que eu já expliquei por que não escolhi outras agências, explico por que escolhi a Araya.

Durante as minhas pesquisas pré-viagem, depois de muito ler blogs de outros viajantes, decidi consultar os valores de três agências: Ayllu Atacama, FlaviaBia Expediciones e Araya Atacama.

Como eu já suspeitava desde o princípio, as duas primeiras – Ayllu e FlaviaBia – estavam bem acima do nosso orçamento. Em contrapartida, a Araya parecia oferecer um serviço bastante digno com um valor que, embora não fosse barato, fazendo um esforço nós conseguíamos pagar.

Além do preço, dois outros fatores foram determinantes para a nossa decisão: a avaliação da empresa no TripAdvisor – que era excelente! – e este vídeo falando sobre como escolher uma agência no Atacama.

E foi uma ótima decisão, pois os elogios à agência eram realmente merecidos. Carros novos e limpos, lanches deliciosos e um time de guias e motoristas super qualificados – com destaque para a dupla Miguel e Gonzalo, com quem fizemos dois passeios e amamos, e também para a guia Amora, cuja didática ao explicar era invejável.

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Nosso guia Gonzalo falando sobre vicuñas nas Lagunas Altiplanicas (@henrique.raw)

Escolhendo os passeios.  Em paralelo com a escolha da agência, também tivemos de escolher os passeios que queríamos fazer – afinal, precisávamos dessa informação pra ir atrás dos orçamentos.

Como nós teríamos uma semana inteira no Atacama – chegamos na quarta-feira (23) ao meio-dia e voltamos na outra quarta-feira (30/05) às 14h -, tempo não era um problema.

Em função disso, pudemos fazer todos os passeios clássicos do deserto com bastante folga e ainda tivemos margem para mudar a agenda no meio da viagem e encaixar um trekking que não estava previsto.

Você consegue fazer exatamente os mesmos passeios que nós fizemos mesmo tendo menos tempo – praticamente todas as pessoas que conhecemos durante a viagem fizeram as mesmas coisas em 4 ou 5 dias. A única diferença é que você não vai ter tantos turnos livres para descansar e passear por San Pedro como nós tivemos.

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Grupo seguindo a guia Amora no passeio às Lagunas Escondidas (@henrique.raw)

Tomadas as devidas decisões sobre a agência e os passeios, nosso cronograma no deserto ficou assim:

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• Não fomos nós que escolhemos a ordem dos passeios. Você diz para a agência o que deseja visitar, eles organizam o seu roteiro de acordo com a agenda deles e mandam as informações um ou dois dias antes da sua chegada em San Pedro.

• O único passeio que nós deixamos para decidir na hora e não contratamos com a Araya foi o Tour Astronômico, que fechamos na tarde da chegada com a agência Space.

• O passeio do Trekking de Guatín + Termas de Puritama não estava previsto inicialmente no nosso roteiro. Na ideia original, nós faríamos o passeio das Lagunas Escondidas no domingo de manhã e o Valle da la Luna na segunda-feira à tarde, o que deixava dois turnos (a tarde do domingo e a manhã da segunda-feira) livres. Chegando lá, ficamos tão apaixonados pelo deserto que achamos essas folgas um desperdício de tempo. Como eu não tive coragem o suficiente para me aventurar a subir um vulcão, encaixamos esta que é uma trilha considerada fácil.

• Para quem tem menos dias disponíveis, é possível encaixar dois passeios de um turno só na mesma oportunidade – combinando os Gêiseres pela manhã com a Laguna Cejar à tarde, por exemplo. Pode ser um pouco cansativo em função da altitude, mas não é nada absurdo – na verdade, é isso o que a maior parte das pessoas faz.

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Trekking de Guatín, o único que não estava previsto no roteiro (@marcio.milesi)

E para responder à pergunta que não quer calar – afinal, quanto custou tudo isso? -, vamos lá para outra tabela:

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• Valores cobrados por pessoa, em pesos chilenos. Para saber o valor em Reais, no item ‘dinheiro’ deste post eu explico como fazer a conversão.

• Na nossa negociação via e-mail com a Araya – que incluía todos os passeios listados acima exceto o Tour Astronômico e o Trekking de Guatín -, o total por pessoa ficava em CLP 260.000. Por estarmos fechando um pacote com eles, ganhamos um desconto e este valor baixou para CLP 235.000.

• Como estávamos fazendo todos os passeios com a Araya, também ganhamos desconto no Trekking de Guatín, que decidimos fazer quando já estávamos lá. De CLP 50.000, que é o valor normal, pagamos CLP 35.000 por pessoa.

• Os CLP 25.000 por pessoa do Tour Astronômico foram pagos no dia para a agência Space. Este é o preço cheio e eles não oferecem desconto.

• Todos os passeios ofereciam algum tipo de lanche – café da manhã ou coquetel, se meio turno, ou almoço em um restaurante em San Pedro, se dia inteiro.

• Enquanto ainda estávamos no Brasil, depositamos para a Araya um adiantamento de R$ 146,87 por pessoa (via Banco do Brasil). Chegando lá, pagamos mais CLP 270.000 em espécie cada um. Eles também aceitavam pagamento em Reais ou Dólares – mas como o câmbio usado era o de San Pedro, valia mais a pena trocar o dinheiro em Santiago e levar já em pesos para o deserto.

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Café da manhã nos Gêiseres El Tatio (@pareceobvioblog)

E já que nós estamos falando em dinheiro, vale lembrar que além dos valores pagos para a agência, quase todos os lugares cobram entrada dos visitantes – e mesmo que na hora pareça ser pouquinho, a soma é de se considerar:

poviaja_atacama_entradas

• Valores cobrados por pessoa, em pesos chilenos.

• Segundo o que os guias nos disseram, todas as atrações do Atacama são geridas pelo povo local, sem auxílio do governo. Assim, aquilo que você paga como entrada é inteiramente revertido para a manutenção do lugar.

• Estes são valores que você tem de ter em espécie – e, de preferência, em trocado. Chegando na entrada do lugar, o guia recolhe o dinheiro na van e faz o pagamento de todo mundo junto.

• Resumindo, cada um de nós pagou CLP 54.000 em todas as entradas.

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Na volta do Salário de Tara, paradinha básica na estrada para fazer uma foto do Licancabur (@pareceobvioblog)

E antes que eu emende este post no próximo e não pare nunca mais de escrever sobre o Atacama, somando tudo o que nós pagamos para as agências mais as entradas, a conta ficou assim:

poviaja_atacama_totais

É isso! Depois deste verdadeiro banho de informações, espero ter deixado vocês com um pouquinho mais de vontade de visitar o Atacama.

No próximo post, vou começar a dividir minhas considerações sobre a parte mais legal da viagem: os passeios! 🙂

9 pensamentos

  1. Que show. Nós temos passagem comprada para chegada dia 31/12 em Santiago. De lá vamos para Calama e retornamos dia 07/01. Ainda não fechamos os passeios. A viagem vai sair bem mais cara que só ir para Santiago mas valerá à pena.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Eloise! Que legal! Santiago é bacana, mas nada – nada! – se compara ao Atacama. Já deu pra notar o quanto eu fiquei apaixonada pelo lugar, né? Super vale o investimento 🙂 nas próximas semanas vou escrever sobre os passeios e sobre como arrumar a mala, pode ser útil pra vc!

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