#43 Desafio ‘2018, o ano do sem’: abril sem ultraprocessados

Estou atrasada, eu sei. E também sei que se eu não falar nada sobre isso, talvez ninguém note. Mas eu noto. E isso basta pra que eu me sinta no dever de dar explicações, mesmo que elas sirvam muito mais para que eu me perdoe do que para qualquer pessoa que vai ler este texto. Aprender a aceitar as minhas limitações e entender que nem sempre eu vou conseguir produzir como o planejado – e que tá tudo bem! – tem sido um exercício constante.

Mas vamos deixar o desabafo pra outra hora e ir logo ao que interessa: chegamos a um novo desafio do ‘ano do sem‘! Depois de testar as minhas habilidades em viver sem redes sociais, sem compras e sem plástico, agora é a vez de enfrentar outro grande obstáculo na minha caminhada rumo a uma vida mais simples e intencional: a alimentação.

Confesso que parte da demora em liberar este post, inclusive, deve-se à dificuldade que eu tive para construir este desafio. Como eu escolhi apelidar o meu projeto de ‘ano do sem’, precisava escolher algum alimento ou hábito a ser eliminado durante este mês, e isso foi muito difícil. Não bastava lançar a proposta do ‘mês com consciência na hora das refeições’ ou algo do tipo; era preciso ser o mês sem alguma coisa, e foi bem complicado encontrar algo que se encaixasse nessa proposta.

Explico o porquê: no que se refere à alimentação, como minha nutricionista fez questão de alertar quando eu comentei que estava pensando em me desafiar a viver um mês sem açúcar, é bastante comum que a restrição leve à compulsão. Eliminar completamente determinados alimentos da nossa dieta é o tipo de comportamento que pode até surtir efeitos no curto prazo, mas que não se sustenta por muito tempo. Passado o período de proibição, as chances de nos vermos desesperados para comer aquilo que não podíamos antes são muuuito grandes. Eu me conheço e sei que seria assim.

E como a ideia aqui é criar um desafio que me ajude a construir uma relação mais saudável e equilibrada com a comida, não faria o mínimo sentido adotar uma restrição que poderia me colocar em uma situação ainda mais complicada do que a que eu estou antes de começá-la. Assim, nada de mês sem açúcar por aqui. Foi preciso encontrar outra opção, e isso demandou certo tempo.

peter-bond-510614-unsplash
Photo by Peter Bond on Unsplash

Depois de muito refletir, cogitar e descartar ideias, finalmente consegui conciliar estas duas necessidades – de me desafiar a viver sem alguma coisa e de me relacionar de forma mais saudável e equilibrada com a comida.  Antes tarde do que mais tarde ainda, nasce aqui o abril sem alimentos ultraprocessados.

Mas como assim, Carol? O que são alimentos ultraprocessados?

Ainda vou fazer um post bem detalhado para quem quiser saber mais sobre o assunto mas, basicamente, importa saber que o conceito de ultraprocessados faz parte da classificação de alimentos proposta pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, lançado em novembro de 2014 e elaborado em parceria entre o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP e o Ministério da Saúde.

De acordo com esta classificação, os alimentos que ingerimos podem ser agrupados em quatro categorias, definidas de acordo com o tipo de processamento empregado na sua produção: alimentos in natura ou minimamente processados; ingredientes culinários e industriais; alimentos processados; e alimentos ultraprocessados.

Estes últimos, os ultraprocessados, são aqueles produzidos industrialmente a partir de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amigo, proteínas), derivadas de constituintes de alimentos (gordura hidrogenada, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório com base em matérias orgânicas como petróleo  e carvão (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e outros aditivos usados para dotar os produtos de propriedades sensoriais atraentes).

De uma maneira que leigos no assunto como eu e vocês possamos compreender, ultraprocessados são todos aqueles alimentos que encontramos na prateleira do mercado prontos para o consumo. São as bolachinhas, chocolates, sorvetes, refrigerantes, congelados e afins. Aquelas coisinhas que podem até fazer um afago no nosso paladar, mas que são como um tiro na nossa saúde.

Acho que deu pra entender o espírito da coisa, né? Já que o objetivo aqui é cultivar uma relação mais cuidadosa e consciente no que diz respeito à minha alimentação, abril será o mês dedicado a restringir, sempre na medida do possível – sem neuras ou radicalismos -, toda essa categoria de alimentos que pode ser facilmente substituída por opções muito mais saudáveis, nutritivas e naturais.

Dessa vez, um desafio sem regras super específicas ou letras miúdas. Vou fazer o melhor que posso dentro das minhas condições e da minha realidade. E daqui a um mês a gente conversa para eu dividir como me saí nisso. Combinados?

Quem mais vem comigo neste abril sem alimentos ultraprocessados? 🙂


Para quem ficou interessado no assunto, a Rita Lobo, do Panelinha, gravou uma série de vídeos com o professor Carlos Monteiro, coordenador do Guia Alimentar para a População Brasileira. No primeiro episódio, ele explica essa classificação que eu resumi aí em cima:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s