#21 O que aprendi ficando um mês sem redes sociais | Desafio ‘2018, o ano do sem’

Foi-se janeiro e, com ele, a primeira etapa do nosso desafio ‘2018, o ano do sem’: um mês sem redes sociais. Se você não sabe do que eu estou falando, sugiro a leitura deste post, no qual eu explico os motivos que me levaram a encarar a empreitada de eleger, a cada trinta dias, um hábito que eu desejo viver sem, de modo a me tornar cada vez mais próxima da vida simples e intencional que pretendo cultivar ao longo deste ano.

Como contei neste outro post, uma das coisas que mais me incomodava e que eu considerava realmente prejudicial para o meu dia a dia era o uso que eu fazia das redes sociais. Justamente por isso, decidi começar a minha série de desafios mensais tentando eliminar, de uma vez por todas, este vício que tanto consumia o meu tempo.

Assim, entre os dias 05 de janeiro e 05 de fevereiro, enfrentei a minha primeira experiência deste ano do sem. Proibida de acessar o Facebook e o Instagram de acordo com as regras que eu mesma havia estabelecido no início do desafio, pude observar o tamanho do espaço que estas redes ocupavam na minha vida – o qual, como vocês devem imaginar, era muito maior do que o necessário.

Foram 30 dias de oportunidades: de olhar para mim mesma, de observar os meus hábitos, de refletir a respeito disso tudo e, principalmente, de me questionar. Será que as coisas em que eu gastava o meu tempo me aproximavam ou me distanciavam dos meus objetivos? Será que eu estava realmente vivendo ou simplesmente sobrevivendo enquanto rolava os feeds das minhas redes sociais?

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Photo by Rachael Crowe on Unsplash

Algumas das respostas – nem todas conclusivas, admito – agora eu compartilho com vocês:

1 – Eu estava realmente tratando de um vício. Embora desde o início do desafio eu tenha me descrito como uma pessoa viciada, eu só consegui entender o que isso significava de verdade quando me vi acessando os aplicativos do Facebook e do Instagram sem nem mesmo pensar no que eu estava fazendo. E não foi uma nem duas vezes: foram várias, principalmente durante a primeira semana. Era um comportamento automático: pega o celular na mão, destrava a tela, clica no ícone da rede social e…opa, peraí, eu não devia estar aqui! Para tentar driblar o hábito, adotei a tática de “esconder” os aplicativos em outra tela do smartphone, o que só deixou a coisa mais evidente: perdi as contas de quantas vezes abri sem querer querendo o app que agora ocupava o lugar onde antes ficavam as redes. Assustador.

2 – Eu tinha muito mais tempo livre do que eu pensava. Sabe aquele papo de que o seu dia precisa ter muito mais horas para você dar conta de todas as suas responsabilidades? Pois então, eu também pensava isso. O que eu não notava antes do desafio, e que conforme ele avançava se tornou cada vez mais claro, era que eu tinha tempo suficiente para cumprir com todas as minhas tarefas diárias – e, pasmem, ainda sobrava. Não tendo as redes sociais como uma possibilidade, aqueles minutinhos – ou horas – que eu passava alimentando o meu tédio com o feed de notícias voltaram a ficar disponíveis. Foi como se eu instantaneamente ganhasse algumas horas extras no meu dia.

3 – Eu havia desaprendido a usar a internet. Vejam bem, eu sou cria da década de 1990, logo, nasci em um mundo sem internet – ou, ao menos, em um mundo sem a internet como nós a conhecemos hoje. Isso quer dizer que eu aprendi a usar essa ferramenta aos poucos, conforme ela crescia e se tornava cada vez mais popular. Eu sou do tempo em que pesquisas eram feitas no Cadê? e comunicação era papo pro chat do Terra. Toda essa introdução pra dizer que há muito mais na internet do que Facebook e Instagram – eu só havia me esquecido disso. Quando me vi proibida de acessar essas duas redes, porém, fui praticamente obrigada a explorar o que existia fora delas. E isso me abriu os olhos para a quantidade de coisas bacanas que nós temos à nossa disposição – blogs, sites, vídeos, etc – e simplesmente não usamos por estar trancados na teia dos feeds infinitos do sr. Zuckerberg.

4 – Eu não sentiria tanta falta quanto imaginava. Aqui, pode ser que o fato de já ter tentado a mesma experiência outras vezes tenha me ajudado. Mas a verdade é que, passado aquele período inicial em que eu me via perdida, sem saber o que fazer com o meu novo tempo livre, o desafio se mostrou muito mais fácil do que eu pensei que seria. Depois que eu aprendi a preencher o meu tempo com outras atividades – estas sim, mais adequadas com o meu propósito de vida -, deixei de sentir falta das redes sociais. Aquela ânsia de saber o que estava acontecendo e de conferir todas as notificações simplesmente se foi.

5 – Eu me iludia com uma falsa sensação de proximidade. Essa é uma reflexão que nem eu sei classificar como boa ou ruim. É apenas uma constatação. Acessando as redes sociais, eu estava sempre por dentro de todas as postagens e stories dos meus amigos – o que eu fazia eu me sentir muito próxima de todos, afinal, eu sabia por onde eles andavam, o que estavam fazendo, etc e tal. A partir do momento em que eu deixei de ter acesso a esse canal de novidades da vida alheia, porém, comecei a me sentir mais distante das pessoas. Como eu disse, não sei dizer se isso é bom ou ruim; só sei dizer que foi assim que eu me senti – e que, aqueles com quem eu queria realmente manter contato, eu simplesmente procurei no whatsapp ou no messenger e mantive uma conversa.

Em resumo, depois de um mês de desafio, cheguei à conclusão de que o problema não eram as redes sociais em si, mas sim a forma como eu as utilizava. Durante estes 30 dias, tive tempo mais do que suficiente para perceber que a relação que eu vinha estabelecendo com o Facebook e o Instagram não era nada saudável – só que, ao contrário do que eu costumava pensar, as vilãs da história não eram elas, e sim eu mesma.

É difícil admitir, mas eu era o principal problema. Eu não sabia mais ficar sozinha com os meus próprios pensamentos – a cada brecha que se abria no meu dia, eu seguia sempre o mesmo roteiro e me jogava no feed de notícias sem nem pensar duas vezes. E como essas ferramentas são desenhadas para que nós fiquemos o máximo de tempo possível vidrados na telinha, era por lá mesmo que eu ficava.

De toda essa experiência, fica o aprendizado de que o controle está nas minhas mãos. Sou eu quem decido como e quando vou utilizar as redes sociais, e qual o papel que elas devem desempenhar na minha vida. Eu jamais teria chegado a essa conclusão, que parece muito óbvia, se não tivesse reunido a coragem de enfrentar este desafio.

No próximo post, daremos início ao segundo desafio do nosso 2018, ano do sem: fevereiro sem compras.

12 pensamentos

  1. Que interessante ler sobre o seu desafio. Não participo dessas redes (facebook/twitter/instagram), mas em maio passado notei que estava perdendo muito tempo em sites de notícias e 2 fóruns de discussão, então resolvi repensar meu tempo online. Fiquei 6 meses sem acessar isso tudo… e depois fui mais longe: antes de clicar um link ou pesquisar alguma coisa no google passei a me perguntar: é mesmo necessário? acrescenta? traz felicidade? Tudo isso foi bem mais difícil do que eu imaginava. Tive uns tropeços, na verdade faz pouco que recomecei. Diria que é o tipo de coisa que tenho que estar vigilante, é muito fácil perder o foco e retomar velhos hábitos. Espero que você se mantenha no controle, sem tantos tropeços como eu tive/estou tendo. E sucesso com o seu próximo desafio 🙂

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    1. Oi, Dri! Você tocou em um ponto muito interessante, que é o período ‘pós-desafio’. Nestes poucos dias desde que eu retomei o acesso às redes, tenho notado que é preciso manter uma vigilância constante pra não cair de novo no looping dos velhos hábitos. Adquirir o costume de fazer essas perguntas antes de abrir qualquer link que vc falou é realmente uma boa ideia, vou tentar aderir! 🙂

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  2. Eu simplesmente amei os aprendizados e constatações desse desafio. Inclusive, está nos meus planos fazer essa experiência também porque sinto que a forma como me relaciono com as redes sociais chegou num patamar de vício e pode estar me prejudicando sem que eu perceba. Carol, continue com esse trabalho inspirador, sério.

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