#17 Mude o seu olhar

Foi um dia desses. Estava eu conversando sobre as mudanças que vivi nos últimos tempos – de me sentir no fundo do poço a ter uma paz que eu nunca havia sentido -, quando me peguei falando o seguinte: “naquela época, a minha vida era exatamente igual a que eu tenho hoje; a única diferença era que eu não via as coisas da mesma forma”. No instante em que as palavras chegaram ao meu ouvido, foi como se eu pudesse sair do meu corpo e assistir à conversa como mera observadora, e não participante. Nem eu me reconheci.

Embora a ideia não seja nenhuma novidade, a verdade é que é fácil viver como se nós não soubéssemos disso. A vida é o que nós fazemos dela. Salvo raras exceções, as situações que se apresentam a nós não são inerentemente boas ou más; o que as faz serem assim é a forma como escolhemos lidar com elas. E, mesmo nos casos em que não há escolha e temos de abraçar a tristeza, sempre há um aprendizado a colher. Por mais difícil e sofrido que seja, vai haver algo de bom ali. Sempre.

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Photo by Dmitry Ratushny on Unsplash

Isso me faz lembrar de um TED que assisti com o Henrique, intitulado good and bad are incomplete stories we tell ourselves (algo como “bom e ruim são histórias incompletas que contamos a nós mesmos”). Nele, a escritora Heather Lanier conta sobre como a percepção dela a respeito destes conceitos mudou depois da chegada da sua filha, que nasceu com uma rara condição genética que resulta em atrasos no desenvolvimento de habilidades como andar ou falar. Ela questiona quais são os nossos critérios para definir o que torna uma vida boa ou ruim, desconstruindo a ideia de que as situações são isso ou aquilo antes  de chegarem a nós.

Ora, se uma mãe é capaz de colher este aprendizado mesmo depois de todo o choque de ver a sua filha nascer com tantas “dificuldades”, quem somos nós para vestir a carapuça de vítimas do mundo? Quem nós pensamos que somos? Quem eu pensava que eu era? 

Durante todo este meu período de transformação – o qual ainda não terminou e provavelmente nunca terminará, diga-se de passagem -, as coisas que costumavam me incomodar e fazer eu me sentir tão mal não mudaram. O que mudou – quem mudou – foi eu. Eu mudei. Eu passei a enfrentar as situações com um novo olhar, menos pessimista e mais voltado a reconhecer o lado bom de cada acontecimento. E isso magicamente mudou tudo. Inclusive – e principalmente – o modo como eu me sinto.

 

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