#6 Neste Natal,

Eu sempre gostei do Natal. Na família da minha mãe, existia essa tradição de passarmos a noite do dia 24 na casa do meu tio, onde era feita a ceia e depois todos se reuniam em volta da árvore para a abertura dos presentes. Era muito legal, e mesmo depois de tantos anos a lembrança dessas noites segue sendo uma das mais especiais da minha infância.

De uns tempos pra cá, porém, eu tenho sentido um certo desânimo com a data. No início pensei que fosse uma sensação natural ao se tornar adulto, essa coisa não sentir mais aquela “magia” do Natal. Mas aí eu refleti e me dei conta de que não era exatamente essa a questão: o que mudou não foi o fato de que eu deixei de ser criança e me tornei adulta – quem dera fosse só isso. O que mudou foi o novo papel que a mim foi atribuído com o passar dos anos: o de ser mais uma pessoa responsável por dar – e comprar – presentes.

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A pilha de presentes embaixo da árvore: tenho calafrios só de pensar

Não me entendam mal: eu adoro dar presentes. Eu realmente acredito que essa é uma forma carinhosa de mostrar a uma pessoa que nos importamos e que lembramos dela em determinado momento. O que me incomoda, então, não é o ato de presentear em si mesmo – esse eu acho super bacana! O que me incomoda é a obrigação de fazer isso em certas datas, como se essa fosse a única forma de demonstrar o nosso afeto.

Que atire a primeira pedra quem nunca se viu diante da dúvida de não saber como presentear determinada pessoa. Quem aí nunca passou dias e dias pensando, tentando encontrar o presente perfeito, e acabou comprando qualquer coisa somente para não ter as mãos vazias na hora do “Feliz Natal”?

Quando foi que uma data que deveria ser tão especial se tornou esse pesadelo?

Quando foi que uma data que deveria ser tão especial se tornou esse pesadelo? Quanto de energia e de estresse – para não falar no dinheiro… – poderíamos poupar se direcionássemos a nossa atenção para a qualidade do tempo que teremos com aqueles que amamos – e não para a quantidade de pacotes embaixo da árvore?

Eu cresci ganhando uma série de presentes no Natal, diversos pacotes, e só agora eu consigo enxergar a enrascada em que eu colocava a minha mãe, que tinha de procurar uma série de quinquilharias – o que eu chamava de “presente surpresa” – para que eu fosse chamada mais de uma vez pelo “papai noel” que se sentava ao lado do pinheirinho. Eu gostava disso? É claro que eu gostava! É claro que eu ficava ansiosa para ouvir o meu nome! Mas se você me perguntar hoje o que havia nesses tantos embrulhos, eu sinceramente não me lembro. A memória que fica é a dos momentos – e não das coisas que estavam nele.

Justamente por isso, o meu desejo para este Natal que se aproxima, e para todos os próximos que virão, é que o nosso foco esteja nos momentos que estamos vivendo. São essas as lembranças que ficarão. E que os presentes embaixo da árvore, se existirem, sejam mero detalhe – porque é exatamente isso o que eles são.

5 pensamentos

  1. Nossa Caroline, concordo demais. É bacana demais o momento de presentear em volta da árvore de Natal e tudo mais… mas quando isso se torna uma tarefa, uma obrigação sem nenhum sentimento gostoso por trás… é algo terrível. Eu tenho tentado focar em presentes (ou lembrancinhas) mais pessoais, feitos em casa quando possível. Pensar nisso com antecedência pode ser meio complicado ~ mas comprar aquele presente-obrigação está FORA da minha listinha esse ano.

    Um beijo (e espero que o planner do blog te ajude muito em 2018!). :*

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  2. Já sofri todo tipo de pressão desde que virei adulta… E lá se foram décadas. Eu nuca gostei da obrigação de dar presente e detesto do fundo do coração amigo secreto e acho pior ainda presente dado sem carinho. Nessa época, a obrigação de dar presentes é tão grande que quase sempre damos coisas que as outras pessoas não precisam, não gostam ou não querem. Não há fórmulas milagre para lidar com estes comportamentos, mas há formas de plantar sementes a médio prazo. É importante mudarmos o paradigma e essa mudança começa nas gerações mais novas: ter apenas aquilo que é necessário, importante e ao qual se dá uso.

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    1. Oi, Yvone!! Concordo muito com tudo o que você falou, nessa obrigatoriedade de presentear as pessoas nós acabamos muitas vezes dando coisas de que as pessoas não precisam. Ah, e eu tb detesto amigo secreto! Fujo de todos que sou convidada! Muito obrigada pelas suas ponderações, adorei ler 🙂

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