#91 Efeito Diderot: você também sofre desse ‘mal’?

Não conheço pessoa que nunca tenha passado por isso: estava satisfeita com as coisas que tinha até o momento em que comprou algo e, não mais que de repente, sentiu que tudo aquilo já não era o suficiente – e que, portanto, precisava de mais.

É aquela velha – e conhecida! – história: um belo dia você resolve comprar uma brusinha, e logo percebe que também pre-ci-sa levar um casaco, uma calça, um sapato…tudo para combinar com aquela primeira compra, que parecia inofensiva mas acabaria se tornando o primeiro passo em uma espiral de consumo nem um pouco legal.

Quem nunca, né? Se você também já passou por isso e se identifica com o que eu estou falando, sinto informar que, assim como eu, você foi uma vítima do Efeito Diderot.

Mas calma, não precisa se desesperar: a boa notícia é que esse mal tem solução – e que no post de hoje nós vamos aprender um pouco sobre a sua história e sobre como eu consegui combatê-lo usando o minimalismo. 😉

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Efeito Diderot: o que é este ‘mal’ – e como ele surgiu

Quem prestava atenção às aulas de história deve lembrar: Denis Diderot foi um escritor e filósofo francês que viveu no século XVIII e ficou conhecido como um dos grandes nomes do Iluminismo, movimento intelectual que defendia o uso da razão e que dominou o cenário europeu lá pelos idos de 1700.

Homem simples, Diderot vivia sem luxos até o dia em que recebeu de presente um novo roupão. O problema é que, diferente do antigo robe, que sentia combinar com o seu estilo de vida, aquela nova peça parecia não se adequar ao ambiente humilde em que morava o filosófo.

Na tentativa de tornar a sua vida mais adequada ao novo roupão, Diderot então deu início a uma série de aquisições que tinham como único objetivo criar um conjunto que lhe parecesse combinar com a beleza e a grandiosidade daquela peça de roupa – e foi assim que a sua casa, antes simples, passou a receber novos tapetes, móveis, esculturas e objetos de decoração que ele jamais havia imaginado precisar.

Relatada no ensaio “Lamentações sobre meu velho robe ou conselho a quem tem mais gosto que fortuna” (para ler na íntegra, clique aqui), essa história foi a primeira vez em que Diderot sofreu o efeito que, anos depois, viria a receber o seu nome.

No texto, o filósofo lamenta as mudanças que a chegada do novo roupão em sua vida acabou por causar: na ânsia de adquirir objetos que fizessem jus ao que ele agora vestia, ele não só gastou todo o dinheiro que tinha como também passou a ter de trabalhar cada vez mais para conseguir pagar tudo aquilo que o seu novo padrão de consumo exigia.

Nas palavras do próprio: “eu era senhor absoluto do meu velho robe; tornei-me escravo do novo”.

Séculos depois, o antropólogo americano Grant McCracken tomaria emprestado desse relato o nome para a sensação de insatisfação crônica que o consumo pode gerar – e nascia aí o efeito Diderot.

Passa o tempo, mas não passam os comportamentos…

Embora quase 300 anos separem as nossas brusinhas do tal robe de Diderot, é curioso notar o quanto esse comportamento de usar uma única compra como o pontapé inicial para uma espiral de consumo sem fim continua sendo uma realidade.

Experiência própria: antes de conhecer o minimalismo, eu era perita em comprar coisas que não tinham nada a ver com o que já havia na minha casa, e que só serviam para fazer eu sentir a (falsa) sensação de que precisava comprar ainda mais.

Como minha mãe costumava dizer quando eu mostrava uma roupa nova que não combinava com nada que existia no meu armário, eu comprava coisas para usar com coisas que eu ainda não tinha – e era só uma questão de tempo até eu ir à loja mais próxima para dar sequência a essa novela, sempre comprando coisas que precisavam de outras coisas para fazer eu (finalmente!) me sentir satisfeita.

O problema, vejam só, é que eu nunca me sentia assim. Por mais que eu comprasse, eu nunca me sentia satisfeita. Eu era uma vítima do efeito Diderot antes mesmo de saber que ele existia.

E foi só depois de conhecer o minimalismo – e de começar a viver de acordo com esse estilo de vida – que eu consegui me livrar dessa sensação de sempre precisar de mais.

Antes de adotar o pensamento minimalista – e ainda sob o domínio do efeito Diderot -, eu nunca estava satisfeita. Sempre faltava algo.

E embora eu pensasse saber o que era esse algo que tanto faltava – às vezes uma roupa, em outras um objeto de decoração ou um cacareco qualquer -, a verdade é que eu não fazia a mínima ideia. Bastava eu comprar aquilo que estava faltando para ver a minha certeza se dissipar – e logo dar lugar a outro objeto.

Graças ao minimalismo, hoje entendo que, se existia algo faltando na minha vida naquela época, esse algo era consciência – e que, se eu não estivesse disposta a adquirir uma nova forma de pensar, nada do que eu pudesse trazer para casa dentro de uma sacola seria o suficiente.

Se você se identificou com essa história, considere este post um convite à reflexão: será que você precisa mesmo comprar tantas coisas – ou será que você está sendo mais uma vítima do efeito Diderot?

Talvez, assim como eu precisei um dia, você não esteja precisando de nada além de um pouco de consciência.

Prometem que vão pensar nisso com carinho – e vão dividir comigo o que acharam aqui nos comentários? <3



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