| COLAB | #1 Por que ficar um mês sem plástico é uma ótima ideia

Para explicar a vocês algumas das razões que me fizeram eleger o março sem plástico como novo desafio do ano do sem, convidei uma amiga que entende super do assunto pra bater um papo com a gente sobre os impactos que o uso deste material tem no meio ambiente. Puxa uma cadeira, respira fundo e lê o que a Thamara preparou pra nós:


Os oceanos estão entupidos de plástico. Até 2025, espera-se encontrar uma tonelada de plástico para cada 3 toneladas de peixe e, em 2050, teremos mais plástico do que peixes nos oceanos. Parece difícil de acreditar, mas, de acordo com a World Economic Forum, organização sem fins lucrativos, esse cenário está mais perto do que imaginamos.

Iniciada no início do século XX, a produção de plástico deu um salto de 15 milhões de toneladas, em 1964, para 311 milhões de toneladas ao ano, em 2014. Isso significa que, em 50 anos, houve um aumento de mais de 20 vezes da quantidade do material produzido – e, continuando no ritmo atual, esse número deve dobrar nas próximas duas décadas.

Quase 90% de todo o plástico produzido até hoje, estimado em mais de 8 bilhões de toneladas, ainda está, de alguma forma, no meio ambiente

Estimativas apontam que o material plástico pode levar até mais de 400 anos para se decompor, sendo a taxa média de reciclagem de apenas 12%. Estes números sugerem, então, que quase 90% de todo o plástico produzido até hoje, estimado em mais de 8 bilhões de toneladas, ainda esteja, de alguma forma, no meio ambiente. Mas e qual o real impacto disso?

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Photo by BBC

Atualmente, a presença de lixo nos oceanos é um dos maiores problemas relacionados com a poluição do meio ambiente. Estima-se que 8 milhões de toneladas de plástico cheguem à água todos os anos, causando um impacto direto nos organismos que ali vivem. É cada vez mais comum encontrarmos fotos e vídeos de animais marinhos em contato com o plástico que nós produzimos diariamente.

Os animais marinhos comem tanto lixo que, a partir de uma falsa sensação de saciedade, acabam morrendo por inanição

Aquele copinho plástico do café, o canudinho do suco e a sacolinha-de-todo-dia do supermercado parecem inofensivos, mas eles estão acabando com os nossos oceanos! Tartarugas, aves, mamíferos, peixes e até mesmo animais muito pequenos como o krill, mini crustáceo semelhante aos camarões, estão ingerindo quantidades inacreditáveis de plástico. Muitos deles comem tanto lixo que, a partir de uma falsa sensação de saciedade, acabam morrendo por inanição! Isso sem mencionar o contato direto, quando os animais ficam presos e/ou se ferem no lixo encontrado no ambiente.

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Photo by BBC

E não é só isso: materiais plásticos contém uma mistura de diversas substâncias químicas que podem gerar graves danos não só ao meio ambiente, mas ao nosso organismo também! Em um estudo publicado no ano passado, pesquisadores encontraram contaminação por microfibras de plástico em 83% de amostras de água da torneira coletadas em diversos países. Não é difícil de imaginar que, se esse problema afeta tanto a natureza, da qual nós fazemos parte,  ele também vai ter um impacto enorme sobre os seres humanos!

Uma vida livre de plástico não é fácil. Ele está presente no nosso dia-a-dia em uma infinidade de formas. E já que se zerar a produção e a utilização deste material é praticamente impossível, nós podemos pelo menos nos conscientizar e diminuir o uso de produtos que não são imprescindíveis. Algumas atitudes pequenas, que fazem uma grande diferença:

• Levar uma caneca para a hora do café, ou carregar uma garrafinha d’água na bolsa, evitando o uso de copos e garrafas plásticas;

• Fazer compras com uma sacola ecológica, diminuindo a absurda quantia de, pelo menos, um milhão de sacolinhas plásticas utilizadas por minuto no mundo todo;

• Utilizar cosméticos naturais no lugar de industrializados. Acreditem, aquelas “bolinhas” dos esfoliantes e pastas de dente são microplásticos! Preste atenção ao rótulo: se contém polietileno ou polipropileno, fuja;

Além disso, o mais importante é lembrar sempre: do ponto de vista do planeta, não existe essa ideia de “jogar fora” – porque, na verdade, não existe um “fora”.


Thamara Salvagni é bióloga marinha e trabalha junto ao Laboratório de Sistemática e Ecologia de Aves e Mamíferos Marinhos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.



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  1. Oi, estou acompanhando o blog e gostei muito. Acho legal também mostrar como substituir absorventes descartáveis e cotonetes.

    • Oi, Ju! Que bom que vc está acompanhando! <3 confesso que não lembrei dos absorventes e do cotonete pois ambos são itens que eu não uso, mas vou deixar anotadinho aqui pra ver se acho alguém que tenha experiência nisso pra dividir com a gente! =)

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