#72 PÓ Viaja | Atacama | Geysers el Tatio, o deserto abaixo de zero

Preparem seus corações, hoje é dia de mais #PÓviaja no Atacama! 🙂

Depois de dividir com vocês os detalhes sobre os tours ao Valle de la Luna, à Laguna Cejar e às Lagunas Altiplânicas, hoje é a vez de falar sobre outro passeio clássico do deserto: os Geysers el Tatio!

Lembrando sempre que nós fizemos todos esses passeios – exceto o Tour Astronômico, que contratamos com a Space – com a Araya Atacama. O que vocês encontram aqui, portanto, é o relato da experiência que nós tivemos com esta empresa em maio de 2018.

Chegando no Parece Óbvio agora? Leia aqui sobre como decidimos ir para o Chile, aqui sobre a nossa ida a San Pedro de Atacama, aqui sobre como escolhemos a agência e aqui as impressões gerais de cada um dos tours.

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Vista geral dos geysers antes do nascer do sol

O tour aos Geysers el Tatio é um passeio de meio período que começa beeem cedo: saímos do hostel antes do sol nascer, mais ou menos às 5h30 da manhã, e lá pelas 13h estávamos de volta.

O motivo para termos de praticamente cair da cama é que este horário é considerado o melhor momento do dia para observar o fenômeno dos geysers, que tem o seu pico de atividade entre as 5h e as 7h da manhã.

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Nós quase não conseguíamos nos mexer de tanta roupa! kkk

Localizado a aproximadamente 100 km de distância de San Pedro de Atacama, o campo geotérmico onde ficam os Geysers el Tatio é o terceiro maior do mundo, estendendo-se por uma área que alcança 3km².

Para quem faltou as aulas de geografia – ou pra quem já saiu da escola há bastante tempo, assim como eu kkk -, geysers são nascentes termais, isto é, jatos de água fervente que se originam a partir do “choque” de águas subterrâneas frias com rochas e lava vulcânica quente.

O contato entre esses componentes provoca o aumento da temperatura e da pressão da água, que é “obrigada” a chegar à superfície em forma de jatos super violentos, que podem atingir até 80 metros de altura.

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Geyser visto de perto: a água borbulhava de tão quente!

E mesmo sendo um passeio que tem como atração principal uma manifestação da natureza marcada por altas temperaturas, um dos motivos que faz o tour aos Geysers el Tatio ser tão famoso é o frio.

Embora os termômetros variem, é bom estar preparado: dificilmente você vai enfrentar algo melhor do que 10 graus negativos – na verdade, as chances são de que você encontre temperaturas menores ainda.

Na manhã em que nós fomos, por exemplo, a temperatura quando chegamos ao campo geotérmico era de 16 graus negativos. Como nós já sabíamos que o frio seria grande, fomos super agasalhados – no final do post eu conto tudo o que vesti! -, então a experiência foi tranquila.

De qualquer forma, é bom ficar esperto e não subestimar o termômetro!

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Ao lado dos jatos de água fervente, GELO!

Além do frio, outro ponto que merece atenção no tour aos Geysers el Tatio é a altitude: chegamos a 4.300 metros acima do nível do mar, o que pode ser um problema caso você ainda não esteja aclimatado.

Como este foi o nosso terceiro passeio no Atacama – e nós já havíamos passado por uma experiência levemente desagradável com a altitude nas Lagunas Altiplânicas, lembram -, foi super tranquilo para nós.

Conforme o nosso guia explicou, nosso corpo já devia estar acostumado com o ar da montanha, então nós não sentimos nada de “diferente” no dia dos geysers. Ainda bem!

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Atenção para o tamanho da pessoa e dos carros ao lado dos geysers!

Depois de mais ou menos uma hora de estrada observando as estrelas, chegamos no campo geotérmico onde ficam os Geysers el Tatio por volta das 7h da manhã. O dia já estava claro, mas o sol ainda não havia nascido.

Nossa primeira parada foi no posto de entrada, onde nosso guia foi entregar o valor dos tickets e nós pudemos descer da van para dar uma esticadinha nas pernas e ir até o banheiro – mais informações sobre a estrutura e valores no final do post!

Dali, fizemos um curto trajeto de carro até o início da “trilha” em meio aos geysers propriamente ditos, onde pudemos observá-los de pertinho enquanto íamos ouvindo as explicações.

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Eu adorei essa foto! kkk

Conforme o sol ia aparecendo e o céu ia ficando cada vez mais azul, nós pudemos aproveitar o local para caminhar e tirar várias fotos – sempre cuidando para não ultrapassar a trilha demarcada pelas pedras vermelhas, essenciais para a segurança dos visitantes.

E por falar em fotos, uma curiosidade que eu, pelo menos, desconhecia: devido às baixas temperaturas, lá a bateria do celular gasta muito mais rápido do que em condições “normais”. Caso você não use câmera e não queira ficar sem registrar esse momento, é bom levar uma bateria externa!

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Ainda estou na dúvida se a paisagem é mais bonita antes ou depois do nascer do sol

Ficamos mais ou menos uns 40 minutos passeando entre os geysers – tempo suficiente para o céu ficar todinho azul e a temperatura dar uma amenizada, sem deixar de ficar negativa.

Dali fomos até o estacionamento, onde um café da manhã delicioso com baguetes da La Franchuteria – falei sobre ela no post anterior, lembram? – e ovos mexidos feitos na hora nos esperavam.

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Nada como um cafézinho da manhã delícia!

Depois de tomar o café, quem quisesse podia entrar na piscina termal dos geysers, onde a água pode chegar a até 30 graus. No espírito do ‘não vim até aqui para viver a experiência pela metade‘, é óbvio que eu fui!

Como eu estava na dúvida se ia ter coragem de entrar na água, não fui vestindo roupa de banho por baixo – deixei para trocar lá mesmo. A piscina tem uma estrutura de vestiários a dois passos de distância, então isso não foi nenhum problema – passei um friozinho básico para colocar o maiô, mas logo estava no quentinho da água.

Até o Henrique, que não se animou a entrar na Laguna Cejar e tinha ido comigo até ali só para tirar fotos, resolveu entrar. De todo o nosso grupo, só nós dois entramos na água – e eu só lamento por quem não foi, porque essa foi uma das coisas mais surreais que nós vivemos no Atacama!

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A piscina termal dos geysers certamente entrou no nosso TOP 5 do deserto

Como se trata de estrutura natural, a temperatura da água não é uniforme em toda a extensão da piscina – as partes mais quentinhas ficam próximas às bordas, que é onde a maior parte das pessoas prefere ficar.

Depois de curtir uns bons 30 minutos de molho, saímos da água super aquecidos e fomos recolocar a roupa no vestiário. Não vou mentir e dizer que não sentimos frio nessa hora, porque nós sentimos sim – principalmente porque eu esqueci de levar um chinelo e tivemos de colocar os pés direto no chão! -, mas não foi nada absurdo.

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Felizes (e quentinhos) nas águas da piscina termal

Depois de conhecer os geysers, tomar café da manhã e aquecer o corpo nas piscinas termais, era hora de tomar o caminho de volta a San Pedro.

Mas o passeio não havia chegado ao fim! Nosso roteiro ainda incluía outras duas paradas: o vale do vulcão Putana e o povoado de Machuca.

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Em uma curva da estrada, o incrível vale do vulcão Putana

No vale do vulcão Putana nossa passagem foi rápida: paramos por alguns minutos para fazer um curta caminhada, tirar umas fotos e olhar de pertinho as águas semi-congeladas do rio, onde patinhos – ou algum outro bicho parecido com isso kkk – nadavam.

Já no povoado Machuca, nossa parada foi um pouquinho mais longa: tivemos mais ou menos 40 minutos para caminhar pelo local, que é super pequeno mas bastante pitoresco.

Conforme nosso guia explicou, poucas famílias vivem atualmente em Machuca, e toda a renda do povoado vem do que eles oferecem aos turistas que passam por lá. Justamente por isso, tudo é cobrado.

Além dos banheiros (CLP 500) e de uma pequena mostra de artesanato local, quem quisesse podia se aventurar a experimentar espetinhos de carne de lhama (que eu não sei o preço pois nem cheguei perto) ou a tirar foto com uma fofíssima lhama bebê (CLP 1000 por três cliques).

Nós só ficamos com a segunda opção, mas nossos colegas de grupo provaram os espetinhos e acharam super saboroso!

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Em Machuca, uma placa no mínimo diferente!

Para encerrar o tour aos Geysers el Tatio com chave de ouro, nosso guia nos levou até um vale que ficava ao lado do povoado Machuca, onde ficamos por alguns minutos tendo uma verdadeira aula sobre a cultura atacameña.

Mais uma prova de que um bom profissional faz toda a diferença na experiência – e de que vale a pena investir em uma agência que ofereça uma equipe qualificada e atenciosa. Neste dia, assim como nas Lagunas Altiplânicas, fomos assessorados pela dupla Miguel (motorista) e Gonzalo (guia), de longe os nosso favoritos de todos que conhecemos durante os nossos dias por lá.

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Hora de dar tchau! 🙁

E agora vamos à ficha técnica sobre o tour aos Geysers El Tatio!

Quanto tempo dura? Este é um passeio de meio período. A van nos buscou no hostel entre 5h e 5h30 – madrugada! – e por volta das 13h estávamos de volta.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 45.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar CLP  10.000 cada um na entrada do campo geotérmico onde ficam os geysers.

Como se vestir? Prepare-se para o frio! Eu fui com calça térmica + legging apeluciada + calça de moletom na parte de baixo; blusa térmica + blusa segunda pele apeluciada + blusão de lã de alpaca + casaco fleece + jaqueta de inverno apeluciada na parte de cima; nos pés, um par de meias térmicas e outros dois pares de meias mais grossas e quentinhas; mais gorro, cachecol e luva. Isso foi o suficiente e eu não senti frio.

Na mochila, levei ainda mais uma manta grande, que acabei não precisando usar; e um maiô que troquei na hora de entrar nas piscinas termais (esqueci de levar um chinelo, não cometam o mesmo erro!).

Saindo da água, com o corpo aquecido, não precisei mais de tanta roupa. Fui de calça térmica + calça de moletom na parte de baixo; e blusa térmica + casaco fleece na parte de cima. Já não precisava mais de luva, cachecol e gorro, mas eu não tirei esse último para ficar bonitinha nas fotos (prioridades, né gente?).

Tem banheiro? Sim. Na entrada do campo geotérmico há uma estrutura de banheiros que já está incluída no valor do ticket – note que não há banheiro no local da trilha e da piscina termal, que ficam há alguns minutos de distância (de van) da entrada. Além deste, também há o banheiro do povoado Machuca, onde é cobrado CLP 500 por pessoa.

Quais as dicas que ninguém conta? O tour aos geysers é frio sim, mas não é nada de outro mundo – pelo menos pra nós, que estamos acostumados com o inverno do Rio Grande do Sul, não foi nenhum bicho de sete cabeças. Isso não quer dizer que você deva subestimar os termômetros, é claro. Vá bem agasalhado que não tem erro – e pelamordedeus, não deixe de entrar na piscina termal! Saber que você está ali quentinho enquanto fora d’água as temperaturas estão negativas é surreal.


E aí, o que acharam? Quem mais já foi aos Geysers el Tatio e tem algo a acrescentar? Alguém planejando uma viagem para o Atacama? 

Nos próximos posts da série #PÓviaja, continuarei o relato detalhado de cada um dos passeios que fizemos no deserto. Semana que vem é a vez do Trekking de Guatín e das Termas de Puritama. Não percam! 😉 



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comentários


2 Comments

  1. Eliana Barbosa de Souza

    Obrigada por compartilhar suas experiências, adorei!!
    Você mencionou que observava as estrelas, postou fotos do céu estrelado, onde??
    Bjs

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