#70 PÓ Viaja | Atacama | Lagunas Altiplânicas, um lugar para jamais esquecer

Prontos para mais uma dose de #PÓviaja no Atacama? 🙂

Depois de dividir com vocês os detalhes sobre os tours ao Valle de la Luna e à Laguna Cejar, hoje é a vez de falar sobre um dos passeios que nós mais gostamos de fazer por lá: as Lagunas Altiplânicas!

Lembrando sempre que nós fizemos todos esses passeios – exceto o Tour Astronômico, que contratamos com a Space – com a Araya Atacama. O que vocês encontram aqui, portanto, é o relato da experiência que nós tivemos com esta empresa em maio de 2018.

Chegando no Parece Óbvio agora? Leia aqui sobre como decidimos ir para o Chile, aqui sobre a nossa ida a San Pedro de Atacama, aqui sobre como escolhemos a agência e aqui as impressões gerais de cada um dos tours.

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O azul incomparável da Laguna Miscanti

O tour às Lagunas Altiplânicas é um passeio classificado como de “dia todo”, mas que na verdade começa de manhã cedo e antes das 16h você já está de volta na cidade.

Diferente das experiências no Valle de la Luna e na Laguna Cejar, as Lagunas Altiplânicas requerem certo cuidado em função da variação da altitude – saímos dos “habituais” 2.400 metros de San Pedro e vamos até 4.300 metros acima do nível do mar.

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A cada curva da estrada, um show da natureza

Saímos do hostel por volta das 7h – a agência sempre marca um intervalo de 30 minutos dentro do qual você deve estar pronto esperando pela van – e iniciamos a nossa “viagem” até a Laguna Tuyacto,  primeira parada oficial do dia.

Falo em oficial porque antes mesmo de sair de San Pedro já fizemos um pit stop na La Franchuteria, padaria super fofa onde nosso guia desceu da van para comprar os pães que seriam servidos no café da manhã. Aliás, se você está indo pra lá, #ficadica: baguetes tão deliciosas quanto as francesas!

Como a viagem até a laguna era relativamente longa – são 160km da cidade até lá -, também demos uma paradinha no povoado de Socaire, onde pudemos descer do carro para esticar as pernas e ir ao banheiro, que custava CLP 500 por pessoa (+- R$ 3,50).

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Parece photoshop, mas é só o efeito espelhado da Laguna Tuyacto mesmo

Chegando na Laguna Tuyacto, ficamos livres para apreciar o lugar enquanto nosso guia preparava o café da manhã.  Agora senta que lá vem a história…

Nós fizemos o tour às Lagunas Altiplânicas no nosso terceiro dia no Atacama – chegamos na quarta ao meio dia e ele era na sexta-feira. Esse seria o nosso primeiro contato com uma variação de altitude tão elevada – de 2.400 para 4.300 metros -, e nós estávamos cientes disso.

Neurótica que sou, li muito sobre como driblar o mal de altitude – o chamado soroche – e fiz tudo o que estava ao meu alcance para tentar não sofrer com ele. Tomei pequenos goles de água para me manter hidratada durante todo o trajeto, masquei folha de coca, não fiz movimentos bruscos e tentei ao máximo orientar o Henrique pra que ele fizesse isso também.

Mas o fato é que cada corpo reage de uma forma, e mesmo tendo tomado exatamente as mesmas medidas que eu, ele se sentiu bem mal logo que chegamos à Laguna.

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Henrique sendo atendido pelo nosso motorista Miguel: deu ruim, mas logo ficou tudo bem

Os sintomas foram aqueles que a gente encontra em qualquer link falando sobre mal de altitude: falta de ar, tontura, enjoo e…vômito (desculpe a exposição dos detalhes, amor! kkk).

Neste momento, foi essencial o apoio prestado pelo nosso motorista/socorrista Miguel, que levou o Henrique de volta para dentro da van (ele estava ensopado de suor e tinha muito vento na rua!) e manteve ele tranquilo o tempo todo, explicando que aquilo era normal.

Segundo o Henrique, todo o mal estar desapareceu assim que ele vomitou. Situação devidamente controlada, ainda conseguimos aproveitar a Laguna Tuyacto para tirar algumas fotos!

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Mirante de Águas Calientes: como não se sentir pequeno diante dessa imensidão?

Depois de ficar mais ou menos uma hora na Laguna Tuyacto – onde além de toda a função do mal de altitude também rolou o café da manhã -, subimos na van e iniciamos o trajeto no sentido de volta à San Pedro rumo à segunda parada do dia, o Mirante de Águas Calientes.

Lá é possível avistar, de cima e bem de longe, as famosas Piedras Rojas – lugar conhecido por ser um dos mais bonitos do deserto, e que não é mais possível visitar graças a um espertinho que resolveu fazer kitesurf nas lagoas.

Por ser uma área de descanso e alimentação de diversas espécies flamingos e outras aves, a atividade espantou os animais do seu habitat e a comunidade indígena que administra o local resolveu suspender a visitação – com toda a razão, diga-se de passagem. Triste, né?

Felizmente, essa e outras histórias de gente sem noção são fortemente repreendidas pelos atacameños,  que são um povo extremamente devotado e respeitoso com a natureza.

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Pra ser guia no Atacama, também tem que saber tirar fotos! kkk

Feita essa rápida parada no Mirante de Águas Calientes – não mais do que trinta minutos  -, pegamos novamente a van para ir até as grandes estrelas do dia: as lagunas Miscanti e Miñiques.

E eu sei que vocês já estão cansados de me ouvir falando que todos os lugares foram o meu preferido, mas agora é sério: essas lagunas mexeram com o meu coração.

Situadas na Reserva Nacional Los Flamencos – a 110 km de distância de San Pedro de Atacama e a 28 km do povoado Socaire -, as Lagunas Miscanti e Miñiques são o resultado de uma erupção vulcânica que aconteceu há mais ou menos um milhão de anos e que ocasionou o represamento das águas de degelo da cordilheira, que antes escorriam em um rio.

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Passar uma noite nessa casinha entrou para a minha lista de sonhos

E aqui eu preciso deixar claro que embora nós tenhamos tentado capturar em fotos a beleza do local, a verdade é que nada se compara à experiência de estar lá e ver aquilo com os seus próprios olhos. Sério.

Chegando na reserva, descemos da van em frente à Laguna Miscanti e ficamos livres durante alguns minutos para caminhar pela trilha demarcada. Confesso que foi difícil manejar todas as minhas vontades naquele momento: eu queria registrar o passeio, mas ao mesmo tempo a paisagem pedia que eu estivesse 100% presente e entregue àquela energia que só a natureza pode nos proporcionar.

E embora nós tenhamos tido um tempo considerável para curtir o lugar – acredito que tenham sido mais ou menos uns 30 minutos de caminhada -, eu saí de lá com a sensação de que não havia sido o suficiente. Eu poderia ter ficado o dia inteiro contemplando aquele azul tão único.

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Vicuña ‘de boa na lagoa’, literalmente

Ao final da caminhada – feita bem lentamente tanto para curtir o lugar quanto para não passar mal em função da altitude -, nosso guia Gonzalo esperava para subirmos na van e irmos até o próximo ponto da reserva: a Laguna Miñiques.

Antes de seguir, porém, ele aproveitou que havia uma vicuña às margens da Laguna e nos deu uma verdadeira aula sobre estes animais, que são primos das lhamas e são super acostumados a viver em altitudes mais elevadas.

E aqui eu faço um parênteses sobre o papel essencial do guia durante um passeio. É fato: um bom profissional faz toda a diferença na experiência. Gonzalo não só nos transmitiu muito conhecimento ao longo do dia como também demonstrou, com as suas atitudes, um grande respeito à natureza – sempre nos orientando a não conversar e a ficar abaixados quando próximos dos animais.

Pelo o que observamos nos outros grupos, esse não é um comportamento adotado por todos os guias – e nós achamos muito bacana saber que o nosso estava preocupado com isso.

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Pose pra foto na Laguna Miñiques!

Depois desta aulinha sobre as vicuñas, enfim fomos até a Laguna Miñiques, onde descemos da van somente para tirar fotos e logo subimos no veículo de novo, pois estava ventando bastante.

De lá, nossas próximas duas paradas seriam rápidas, apenas para fotos: primeiro, em meio à estrada para aquela clássica imagem no asfalto com um vulcão ao fundo; depois, na placa que indica a localização do Trópico de Capricórnio.

E aqui #ficadica de novo: não se acanhe e peça para o seu guia – ou motorista – tirar todas as fotos a que você tem direito! Eles estão acostumados e conhecem os melhores ângulos! 😉

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Essa foto se tornou uma das minhas preferidas DA VIDA

A essa altura do dia, por volta das 14h, a altitude já começava a demonstrar sinais no meu corpo: a dor de cabeça e o cansaço estavam de matar. Por sorte, o almoço incluído no pacote do tour era oferecido em um restaurante lá em San Pedro, onde eu já estava aclimatada.

Enquanto ainda estávamos a caminho da cidade, o guia informou qual era o cardápio do dia e nós pudemos escolher entre as opções disponíveis. Eu optei por creme de abóbora, yakisoba  e mousse de banana. Comidinha bem servida e temperada com bastante coentro – eu achei deliciosa!

Depois do almoço, quem quisesse podia ficar pelo restaurante mesmo – que ficava a dois passos da Calle Caracoles – ou subir na van para ser levado até o seu hostel. Nós preferimos a segunda opção, pois o cansaço do dia estava pedindo por um banho e cama.

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Já imaginou passar o dia viajando com essa vista?

E agora vamos à ficha técnica sobre o tour às Lagunas Altiplânicas!

Quanto tempo dura? Este é um passeio que teoricamente dura o dia inteiro. Na prática, a van nos buscou no hostel às 7h30 e às 15h30 estávamos de volta – sendo que desde as 14h30 já estávamos em San Pedro almoçando.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 70.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar CLP  10.000 cada um na entrada da Reserva Nacional los Flamencos, onde ficam as Lagunas Miscanti e Miñiques.

Como se vestir? Pense em “camadas”: prepare-se para o frio de manhã, mas não se esqueça que a temperatura aumenta ao longo do dia. Eu fui de calça térmica + calça de moletom na parte de baixo e blusa térmica + blusão de lã de alpaca + jaqueta pena de ganso na parte de cima. Nos pés, duas meias – uma térmica e uma mais grossa e quentinha. Também coloquei cachecol e gorro, dispensáveis enquanto nós estávamos dentro da van, mas importantes quando nós saíamos do carro. Passei o dia todo com a mesma roupa, só tirando e colocando a jaqueta conforme descia da van.

Tem banheiro? No trajeto de ida até a Laguna Tuyacto, havia um banheiro no povoado Socaire, onde foi cobrado CLP 500 por pessoa. Na Reserva Nacional los Flamencos, em frente à Laguna Miscanti, também havia um banheiro (que já estava incluído no valor da entrada). Nos outros lugares, caso a vontade seja muito forte – o que pode acontecer, já que você precisa tomar água para se manter hidratado -, o jeito é apelar para o bom e velho banheiro inca atrás das pedras. Meninas não podem se esquecer de levar papel higiênico e sacolinha para o lixo!

Quais as dicas que ninguém conta? Não subestime os efeitos que a altitude pode causar no seu corpo. Caso este seja o seu primeiro passeio mais alto – nele, a altitude média é de 4.300 metros -, aproveite o trajeto até a Laguna Tuyacto para tomar pequenos goles de água e ir se hidratando. Chegando lá, desça da van com calma e não faça nenhum esforço. Sentir um pouco de falta de ar é normal, mas não deixe de avisar a equipe da agência caso você esteja se sentindo esquisito. O pessoal é super acostumado a ajudar.


E aí, o que acharam? Quem mais já foi às Lagunas Altiplânicas e tem algo a acrescentar? Alguém planejando a sua viagem para o Atacama? 

Nos próximos posts da série #PÓviaja, continuarei o relato detalhado de cada um dos passeios que fizemos no deserto. Semana que vem é a vez dos Gêiseres El Tatio. Não percam! 😉 



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comentários


3 Comments

  1. Tatiane Kenia

    adorei!! Mas vc acha que vale a pena fazer as Lagunas escondidas tambem? Qual delas é melhor em sua opnião?

    • Oi, Tatiane! São passeios diferentes então é difícil comparar, mas na minha opinião os das Altiplânicas é mais bonito. Ele é um passeio mais longo do que o das Escondidas, que dura apenas uma manhã, mas em contrapartida é apenas para contemplação (nas Escondidas você pode entrar em uma das lagoas, para ter aquela experiência de não conseguir afundar). Se você não tem como fazer os dois, eu sugeriria o das Altiplânicas – mas se tem como, faça os dois! São experiências diferentes e ambas valem muito a pena 😉

  2. Pingback: #72 PÓ Viaja | Atacama | Geysers el Tatio, o deserto abaixo de zero – Parece Óbvio

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