#5 O filme que mudou minha vida (ou: onde tudo começou)

Como contei no nosso primeiro post, 2017 foi um ano de grandes mudanças pra mim. Para além daquelas bastante visíveis – como morar em uma nova casa e não ter mais de ir à faculdade todos os dias -, este foi um período em que muitas transformações internas ocorreram. Termino o ano sendo uma melhor versão do que aquela de quando ele começou.

O fato é: às vezes, a gente precisa tomar uns tapas na cara da vida. Umas boas “sacudidas”, sabem? Uma voz que venha de fora e diga “acorda, reage!”. Porque embora os resultados de uma experiência de transformação sejam incríveis, a verdade é que ela não acontece sem um pouquinho de dor no caminho.

Eu não me sentia completa. Faltava algo, eu queria mais.

Para quem olhava de longe, eu tinha tudo para ser extremamente feliz. Todas as coisas pelas quais eu havia tanto ansiado nos últimos tempos – o apartamento novo, a formatura, até o cachorro! – estavam finalmente acontecendo. E, mesmo assim, eu não me sentia completa. Faltava algo, eu queria mais.

Insatisfação, frustração, raiva, ansiedade. Precisei chegar a um ponto em que nem eu mesma me aguentava mais. Estar na minha pele era realmente insuportável, pois eu só conseguia ver a metade vazia do copo , tudo aquilo que ainda me faltava e que eu julgava merecer. Eu achava que, tendo concluído duas faculdades, a minha vida deveria ser diferente. Eu queria ganhar mais. Eu queria viver mais. E achava que a solução estava no meu salário.

Eu precisava de ajuda profissional. Urgentemente. E eu de fato procurei, e foi uma das melhores coisas que eu fiz por mim mesma este ano. E mais do que isso, eu passei a me cercar de distrações – vídeos e leituras, principalmente – que me auxiliassem neste processo. E é aí que entra em cena o filme que mudou minha vida.

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Minimalism: A documentary about the important things

Foi como se todo o sofrimento fosse tirado com a mão. Aquelas nuvens carregadas que anunciavam a tempestade que se passava no meu interior se dissiparam como mágica – e deram espaço a um céu límpido, azul, claro como eu nunca havia visto. Foi exatamente assim que eu me senti depois de assistir ao documentário produzido pelos “minimalists” Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus pela primeira vez.

A resposta para a nossa busca não está nas coisas materiais.

O filme trata sobre um estilo de vida mais simples, focado naquilo que realmente nos faz felizes – e não no que querem que acreditemos que nos fará felizes. São executivos de sucesso, neurocientistas, sociólogos e pais e mães de família falando sobre algo tão óbvio que eu me senti até envergonhada por não ter percebido antes: a resposta para a nossa busca não está nas coisas materiais.

Todos temos um “vazio” que tentamos preencher. E a forma com que grande parte de nós foi ensinado a fazer isso é consumindo. O problema é que não importa quantas coisas compremos, isso não nos torna mais completos. A fome de ter mais nunca é saciada.

É só fazer o teste: quantas vezes você comprou algo pensando que ter aquilo o faria feliz? E quantas vezes você se pegou, pouco tempo depois dessa compra, condicionando a sua felicidade a outro objeto que ainda não tem? Parece que não importa o quanto você adquira, nunca é o suficiente. Sob a lógica do consumo, nunca vai ser.

A proposta do documentário é justamente essa: mostrar que existe uma forma diferente de se viver. Ajudar aqueles que o assistem a superar esse apetite desenfreado por mais coisas, pois este é um caminho potencialmente destrutivo. E se esse era objetivo dos autores ao produzir o filme, eu posso dizer com certeza que, pelo menos pra mim, funcionou. E eu tenho certeza de que pode funcionar pra muitas outras pessoas também.

A partir do momento em que eu me dei conta de que a fonte do meu sofrimento estava nessa busca por mais e mais bens materiais, eu pude reavaliar as minhas atitudes e notar o quanto a resposta para as minhas angústias estava no caminho oposto daquele que eu vinha trilhando. Perceber isso foi como acender uma luz na escuridão: tudo aquilo que parecia tão assustador deixou de ser. E eu nunca mais fui a mesma.

Para quem se interessou pelo documentário, ele está disponível na Netflix. Assistam e me contem o que acharam! Eu prometo que vocês não vão se arrepender! 😉



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comentários


0 Comments

  1. Adorei o relato e a dica, assisti ao documentário quando tu falaste dele no face. Já venho baseando minhas escolhas, tanto profissionais como pessoais, em fugir desse consumismo ddesenfreado, mas o documentário me mostrou novas perspectivas e contribuiu muito para um momento de meditação e mudança para mim também. Valeu a dica 😉

  2. Patrícia da silva

    Muito legal o documentário e por mais que ache que não posso ou talvez nao acredite em mim,eu sinto este vazio, procuro preencher mas nada adianta mas ler este documentário vai me fazer pensar em como preencher este vazio acaba com esta angústia por algo que ainda não descobri!

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