#42 PÓ Indica: Take Your Pills

Você se sente sobrecarregado com as suas responsabilidades? Tem a impressão de que não consegue se concentrar para dar conta de tudo o que tem de fazer ao longo do dia? Já pensou em recorrer – ou até mesmo já recorreu – a um medicamento para lhe ajudar nisso?

Se a sua resposta foi ‘sim’ para qualquer uma das perguntas do parágrafo anterior, o PÓ Indica dessa semana é pra você.

No último domingo, assisti ao documentário Take Your Pills, um original da Netflix que trata sobre o uso desenfreado de medicamentos voltados para o tratamento de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) por pessoas que não são diagnosticadas com a doença. Basicamente, gente que escolhe – porque não precisa de fato – se automedicar na busca pelos efeitos proporcionados pelas substâncias, que aumentam a capacidade de concentração e, por consequência, melhoram o seu desempenho nas mais variadas atividades.

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Através de depoimentos de estudantes universitários, empresários do meio musical, atletas e pessoas de diferentes cenários, o filme mostra o quanto a pressão para que sejamos sempre os melhores em tudo acaba por criar a ilusão de que precisamos tomar estimulantes para dar conta de todas as nossas responsabilidades. Como se o problema estivesse em nós mesmos e na nossa suposta incapacidade, e não no mundo altamente competitivo em que vivemos atualmente.

Como bem refletiu um dos entrevistados, em uma das falas que mais me marcou durante o documentário, se antes as pessoas usavam drogas para descontrair e ter momentos de diversão, hoje usam drogas para se concentrar e conseguir lidar com as suas tarefas – o que diz muito sobre a nossa atual sociedade.

E embora eu nunca tenha recorrido a esse tipo de medicamento com regularidade, consegui me enxergar em muitos dos relatos porque sim, eu já vivi situações em que a única saída parecia ser tomar um remedinho que me ajudasse a zerar a minha lista de tarefas. Mesmo sem ter nenhum transtorno diagnosticado, eu já saí atrás de boletinhas pra conseguir sobreviver às semanas de provas da faculdade.  E eu sei que não preciso nem comentar que conheço muitas outras pessoas que também vão se identificar com a situação.

E como se todos os depoimentos, entrevistas e informações preciosíssimos que Take Your Pills traz não bastassem, fica a reflexão sobre qual a necessidade de tudo isso. Será que nós precisamos mesmo chegar a este extremo de não saber mais viver sem um remédio? Afinal, somos nós que devemos nos adaptar à forma como funciona a sociedade ou é ela que tem de se adaptar aos nossos limites?

Não deixem de assistir.

 


obs. 1: caso não tenha ficado suficientemente claro no texto, tanto eu quanto o documentário dirigimos a crítica e a reflexão a quem recorre aos medicamentos sem ser diagnosticado por um profissional habilitado para tanto. Se você de fato tem um diagnóstico, não se considere contemplado. 😉

obs. 2: assisti ao documentário através da dica da Ane Saraiva, da Sati Consciência Plena, empresa super bacana daqui de Porto Alegre que promove diversos cursos e eventos de mindfulness. Vale a pena conferir a página deles no Facebook!

 



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  1. Assisti ao documentário nesse final de semana. Impressiona a facilidade com que se consegue os medicamentos e a quantidade de jovens usando para ter um melhor desempenho na faculdade. Ou seja, o nível de competitividade está tão intenso que atinge aqueles cada vez mais novos, de uma forma altamente destrutiva. E para mim também uma das frases mais marcantes foi que antes usavam drogas para se divertir e hoje para produzir mais. Mostra bem as pressões da nossa sociedade.

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