#41 Sobre compartilhar vídeos e vulnerabilidades

Quem acompanha os meus textos há algum tempo já deve ter notado: eu não tenho o mínimo problema em expor as minhas vulnerabilidades. Na verdade, eu até gosto de fazer isso. Além de não ser uma pessoa nem um pouco tímida – o que certamente ajuda -, eu tenho a impressão de que grande parte do peso de compartilhar algo que eu fiz se dissipa quando eu mostro junto com ele os bastidores de todo o processo.

Porque se a timidez não é um problema por aqui, a insegurança certamente é. E eu me sinto muito mais confortável quando eu aviso todo mundo que ó, não foi fácil não, eu demorei até conseguir ficar minimamente satisfeita com o meu resultado. E ao mesmo tempo em que eu torno a situação um pouco menos difícil pra mim, eu sei que eu também deixo as coisas um pouco mais leves pra quem tem vontade de fazer o mesmo e ainda não teve coragem. Todo mundo sai ganhando.

E por que eu tô falando sobre isso hoje? Porque eu acabei de publicar o meu terceiro vídeo no YouTube, e compartilhar as minhas ideias neste formato segue sendo um enorme desafio. Porque muito mais complicado do que dominar os softwares de edição, é lidar com a dificuldade de reconhecer que eu ainda tô bem longe de onde eu quero chegar. Porque eu quero me sentir um pouco menos desconfortável com essa situação toda e, quem sabe, conseguir ajudar alguém mais com isso.

Mas Carol, não é você que escreve tanto sobre aceitar que a gente vai começar ruim nas coisas antes de conseguir ser bom nelas? Sim, gente. Sou eu mesma. E pra vocês verem como é difícil de verdade, mesmo eu, que sei de cor e salteado e acredito nesse discurso, nem sempre consigo agir de acordo com ele.

Não foi por acaso que eu gravei o vídeo no início de março e só consegui publicar ele agora, em abril. Levei horas – HORAS – sentada diante da câmera para conseguir aproveitar oito minutos de fala que não me fizessem ter vontade de star morta e, depois disso, peguei um bode tão grande do assunto que simplesmente não conseguia ficar olhando pra tela enquanto editava.

E é bem louco que eu me sinta assim porque eu realmente gosto e quero continuar fazendo vídeos, mas dessa vez simplesmente não rolou gravar-editar-publicar com a agilidade e a frequência que eu pretendo manter no futuro. E querem saber de uma coisa? Tá tudo bem não ter rolado.

Não morri e nem me caiu um pedaço por eu ter esperado esse tempo – na verdade, ele foi até bom. Porque quando eu resolvi que era hora de acabar com essa palhaçada e editar de uma vez, eu percebi que não estava tão ruim quanto eu tinha achado no dia que gravei. E agora, depois de ter visto mil vezes e finalmente publicado, eu até gostei do resultado – levando em consideração o tamanho da minha régua neste quesito, claro.

Como eu falei no nosso último post e provavelmente seguirei falando até o fim dos meus dias, a vida real é muito maior, mais complexa e cheia de nuances do que essa versão editada que a gente prepara para os outros darem o play no YouTube. E quanto antes a gente consegue entender isso, mais fácil fica criar a coragem de enfrentar a nossa insegurança e fazer o que a gente tem vontade.

Espero não demorar tanto para publicar o próximo vídeo – mas não prometo nada.

https://www.youtube.com/watch?v=-8sw9OXYdS4

 

 



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