#40 Hoje é dia de desabafo

Já faz um tempinho que não rola post-desabafo por aqui, né?

Isso não quer dizer, é claro, que os meus motivos para ter vontade de desabafar tenham sido todos resolvidos. É óbvio que não. Acontece que, com a prática, eu tenho me tornado cada vez melhor nesta arte de ignorar o meu grilo falante interior e seguir fazendo, mesmo quando a minha cabeça está fervilhando de ‘preocupações’.

Quando comecei a escrever aqui no Parece Óbvio com mais frequência, em janeiro deste ano, combinei comigo mesma que a meta seria publicar, pelo menos, dois posts por semana. Minha ideia ao estabelecer este compromisso era conseguir criar um ritmo, uma rotina, tornar a tarefa da escrita um verdadeiro hábito. E isso, felizmente, deu super certo.

Embora não tenha sido exatamente fácil no início, hoje eu eu consigo escrever dois posts semanais com tranquilidade. O trabalho de escolher um tema, refletir sobre ele e organizar as ideias em um texto se tornou algo natural para mim. Bater aquela meta semanal já não requer mais um grande esforço. As coisas simplesmente fluem.

Quando notei que estava me sentindo segura o suficiente para dar o próximo passo e seguir adiante nessa caminhada, revisei o compromisso e combinei comigo mesma que, a partir dali, a meta seriam três posts semanais. Afinal, se escrever duas vezes estava fácil, escrever três não poderia ser muito diferente, né?

natalie-collins-177063-unsplash

Photo by Natalie Collins on Unsplash

E a resposta para esta pergunta é que não é diferente e, ao mesmo tempo, é. Porque embora seja apenas um texto além do que já havia se tornado natural para mim, a sensação de que eu não estou conseguindo dar o meu melhor em cada um deles é imensamente maior. É como se, de repente, tudo tivesse se tornado uma responsabilidade grande demais para o meu tamanho.

Por mais que eu consiga sim escrever e publicar as tais três vezes na semana que eu combinei comigo mesma, eu fico nesse dilema de que talvez eu devesse diminuir o ritmo – e a quantidade – para poder me dedicar um pouco mais à qualidade de cada texto; ao mesmo tempo, porém, eu também me pergunto o quanto essa sensação de não estar entregando o meu máximo é real – e o quanto ela é filha do meu grilo falante  interior, um sujeitinho extremamente perfeccionista.

Tenho pensado bastante sobre isso ultimamente, e confesso que ainda não consigo encontrar uma resposta – embora eu me veja cada vez mais inclinada a acreditar na segunda opção.

Ainda que essa impressão de que eu não estou dando o meu melhor possa ser verdadeira, isso não apaga o fato de que todas essas dúvidas são típicas de pessoas perfeccionistas. Gente que costuma se cobrar ao extremo, em um nível além do necessário. E isso não pode ser uma simples coincidência.

Afinal, se tem um comportamento que eu tenho lutado para deixar para trás, é essa mania de ficar me cobrando até não poder mais. E se existe um denominador comum por trás de todas as vezes em que eu desisti ou me impedi de fazer algo, ele certamente é a ideia de que ou eu faço perfeito ou então eu nem faço.

Porque se for pra analisar com clareza, eu consigo me dar conta de que é um texto além do que eu já estava acostumada a escrever e que, se eu já estava me sentindo satisfeita fazendo isso, é bem provável que logo eu consiga me sentir confortável fazendo mais.

Se for pra analisar com clareza, com clareza mesmo, esse grilo falante não passa de uma criatura cheia de inseguranças que não suporta a ideia de que eu finalmente aprendi – e sigo aprendendo, aos trancos e barrancos – a viver a minha vida sem dar ouvidos a ele.

Quem me vê aí, cheia dos posts e ideias, talvez não imagine que isso se passa. E mesmo sem ter uma resposta definitiva para todo esse dilema, eu acho super importante desabafar e escrever sobre ele porque essa sim é a vida real. A versão editada que eu escolho publicar nas redes existe, mas ela é só uma parte de quem eu sou de verdade.

Eu sou eu, mas eu também sou o meu grilo falante. Assim como vocês são vocês e os seus grilos. Todos nós, muito mais parecidos do que imaginamos, muito mais complexos do que a nossa vida online faz parecer.

E é isso o que temos de post pra hoje.



compartilhe




posts relacionados



comentários


0 Comments

  1. Carol
    Todos temos nossos grilos falantes. O meu eu chamo de general, pq ele é muito rigoroso. Eles são tipo ex namorados que não aceitaram o pé na bunda e ficam ali atazanando. Hahaha
    Tu não está sozinha. É bem difícil quando a gente passa a vida inteira dando bola pro grilo e, do nada, passamos a deixar ele de canto para viver melhor.
    Teus textos são muito bons! Continua assim! Sucesso!

    • Exatamente, Lizi! Eles não suportam a ideia de que a gente aprendeu a seguir em frente! Adorei o apelido do teu, acho que o meu é bem parecido! kkk

  2. Pingback: #41 Sobre compartilhar vídeos e vulnerabilidades – Parece Óbvio

  3. Carol, acho que são só os grilos mesmo (pq acho que eles são grilos e não um grilo só hahaha no meu caso pelo menos é assim). Voto na segunda opção e pelo que tu conta acho que tu da conta de escrever 3 posts, mas se não der também, não tem problema, a gente continua se deliciando com os outros dois hehehe. Beijos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *