#38 Voltar pra casa também é bom

Cheguei de viagem ontem à noite. Nos últimos quatro dias – desde sábado até terça-feira -, eu e Henrique estávamos em São Paulo. Fomos assistir ao show do The Killers no Lollapalooza e aproveitamos para dar uma esticadinha e aproveitar um pouco do que a cidade grande tem a oferecer.

Era a nossa quarta vez juntos por lá,o que significava que todos aqueles programas turistões clássicos já haviam sido feitos. Estávamos livres para curtir alternativas menos óbvias – e foi bem isso o que nós fizemos. Ou que pelo menos tentamos fazer.

Isso aí, tentamos. Não sei se por falta de organização ou de planejamento nossos, mas dessa vez rolou a impressão de que grande parte dos rolês incluíam, necessariamente, ou compras ou comida. Talvez por estarmos lá em uma segunda-feira, dia em que grande parte dos museus é fechado ao público, em diversos momentos ficamos um tanto perdidos, sem saber direito para onde ir – afinal, não estávamos no espírito das compras e não temos um estômago infinito.

E isso me colocou a refletir sobre a importância que nós damos ao viajar hoje em dia, e sobre quais são os verdadeiros motivos que nos levam a sair de casa para visitar novos lugares.

suhyeon-choi-184102-unsplash

Photo by Suhyeon Choi on Unsplash

Porque, vejam só: eu amo viajar. Poder passear por um local diferente e fazer coisas fora da minha rotina é algo que me deixa realmente feliz. E mesmo amando tudo isso, me vi um tanto entediada quando as únicas opções pareciam ser ir ao shopping ou fazer um lanche – e olha que, além de viajar, eu também amo comer.

E eu não escrevo isso para dizer que eu preferia ter passado esses dias em casa ou em qualquer outro lugar que não São Paulo. Não é isso. Eu amei a nossa viagem. Mas eu escrevo porque estar lá me fez questionar o que, de fato, me faz viajar. Qual é o motivo que me leva a colocar algumas roupas na mala e chamar outra cidade de casa durante um tempo?

Fiquei com a impressão de que nessa de dar tanta importância à ideia de viver momentos e não acumular coisas, podemos estar perdendo a essência de algumas experiências. Afinal, faz sentido viajar somente por viajar? Sair de casa somente para poder dizer que se foi a algum lugar, mesmo quando não temos nada de interessante a fazer por lá?

austin-neill-247047-unsplash

Photo by Austin Neill on Unsplash

Essa nossa viagem tinha um propósito – que era ir ao Lollapalooza -, e acabou que por estarmos na cidade em outros dias que não o do festival, pudemos fazer várias outras coisas bacanas. Mas em alguns momentos rolou, sim, um pequeno tédio. Um tal de o-que-a-gente-faz-agora misturado com um meu-deus-não-aguento-mais-shopping.

O que não quer dizer que não tenha sido uma ótima experiência – porque foi incrível, sim. Mas me fez refletir também. Estaríamos nós supervalorizando o ato de viajar? Será que não o tornamos um fim, quando na verdade ele deveria ser um meio – de sair da rotina, de conhecer novos lugares e pessoas?

Essas reflexões me permitiram perceber que de nada adianta fazer algo se você não vê um propósito naquilo, mesmo que todo mundo diga o contrário. Por mais que todos proclamem aos quatro ventos o quanto viajar é a melhor coisa do universo – eu inclusive -, se você não vê graça ou sentido nisso, simplesmente não vá. Não se obrigue.

Viajar só por viajar – ou fazer qualquer outra coisa só por fazer – não é legal. Não é legal porque simplesmente não faz sentido.

Viajar é bom. Voltar pra casa também é bom. Na verdade, tudo pode ser bom – desde que a gente veja propósito nisso.



compartilhe




posts relacionados



comentários


0 Comments

  1. Pingback: #39 PÓ Indica: O Poder da Gravata – Parece Óbvio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *