#24 Pronto, falhei!

Hoje o post não vai ter introdução bonitinha. Sabe quando você precisa se livrar de um curativo e o arranca rápido para não doer? É esse o caso.

A verdade é que eu falhei. Lembram do meu desafio do ano do sem, fevereiro sem compras? Pois então: eu falhei. Não consegui chegar nem mesmo à metade do mês sem fazer uma compra. Falhei e admito.

Falhei e admito, sim senhores! Mas como tudo na vida tem um lado positivo, agora estou aqui para dividir com vocês o que ganhei com essa experiência – além, é claro, de um novo par de sandálias que agora mora no meu armário.

Antes, um pouco de contexto: era feriado de carnaval e eu estava na praia com a família do meu noivo. Além de curtir a beira do mar, uma das nossas atividades diárias era passear no centrinho da cidade para fazer um lanche e ver as lojinhas. Aquela programação clássica do litoral, sabem? Foi bem assim que a gente fez.

E também foi bem assim que, em uma das nossas incursões ao fantástico mundo dos shoppings de fábricas, eu entrei no recinto com as mãos vazias e saí carregando uma sacolinha. Dentro dela, um par de sandálias que me custou R$ 29,90 e a necessidade de admitir – para vocês e para mim mesma – que eu falhei.

Vejam bem: eu não estou escrevendo este post para me justificar. Mas, se tem algo que posso dizer em minha defesa, é que eu já estava de olho nestes calçados há um bom tempo – desde antes do ano do sem, na verdade. Eu só não havia comprado ainda porque a única versão que eu conhecia era muito cara – quase R$ 200 -, e eu não estava disposta a desembolsar este valor. Mas menos de R$ 30 era uma quantia que eu aceitava gastar. E então eu gastei.

Eu precisava ter comprado? Era realmente uma necessidade? Não. É claro que não! Eu podia sim ter esperado até o fim do desafio – o que inclusive permitiria que eu pensasse melhor sobre a necessidade da compra. Mas eu não fiz isso. Eu fui lá e comprei. E é com essa realidade que eu tenho de lidar agora. Sem justificativas, sem desculpas. Eu falhei e tenho de aceitar isso. Afinal, abraçar os nossos erros e aprender com eles faz parte do processo.

Outra opção seria pedir que alguém comprasse as sandálias e me desse de presente. Isso supriria o meu desejo de tê-las sem que eu precisasse furar o desafio. Parecia uma solução perfeita, não é mesmo? E até seria. Mas se eu tomasse este caminho, eu não estaria sendo verdadeira comigo mesma. Eu estaria fugindo do verdadeiro propósito que me motivou a adotar um ano do sem.

E se vocês estão aí pensando que eu me senti culpada por ter falhado, sinto desapontá-los. Eu não me senti. O que eu senti, na verdade, foi satisfação. Não aquela satisfação momentânea que sentimos logo após uma compra, mas a satisfação de perceber que, mesmo falhando, eu estava agindo com consciência.

Mesmo estando exposta a diversos estímulos para comprar toda a sorte de bugigangas possíveis, eu saí da linha somente uma vez. E foi por algo que eu já queria mesmo antes de ter visto. E eu considero isso uma vitória.

Conversando com as pessoas sobre o ocorrido, surgiu o conselho de que eu não falasse sobre o assunto aqui no blog. Assumir esta falha poderia enfraquecer a força dos meus depoimentos – afinal, quem essa menina pensa que é para falar sobre minimalismo, se nem ela consegue viver o que escreve? Mas, querem saber? Eu assumo este risco.

O risco de ser desacreditada é compensado pela inspiração que as minhas palavras podem proporcionar a quem pensa que é o único a tropeçar na caminhada.

Amigo, deixa eu repetir aqui caso não tenha ficado claro: você não está sozinho.

De todo este relato, além do novo par de sandálias, fica pra mim – e espero que pra vocês também – o aprendizado de que falhar, todos falhamos. A diferença, como sempre, está no que nós decidimos fazer com isso.

Vida – e fevereiro sem compras – que seguem!



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  1. Eu fiz quase a mesma coisa mas o meu desafio é diferente. Eu organizei todos os meus itens, cataloguei e vi exatamente o que eu tenho. Também fiz o desafio de ficar sem fazer compras…Mas compras desnecessárias. Se eu tenho quatro hidratantes em casa, só posso comprar um novo quando acabar com todos os eles. Só posso comprar um sapato novo, se outro for sair do meu armário. Eu parei de fazer se compras desnecessárias e parei de acumular coisas que eu não uso em casa.

    • Oi, Luiza!! Que legal! Eu também tenho feito desta forma com os meus itens de higiene/beleza: só compro um novo quando esgotar todos os que eu tenho em casa! Uma tarefa que ainda está pendente, mas que eu pretendo colocar em prática em breve, é fazer um “inventário” de tudo o que eu tenho, assim como vc fez. 🙂

  2. Pingback: #26 Antes de ir às compras, leia este post – Parece Óbvio

  3. Pingback: #29 O que aprendi ficando um mês sem compras | Desafio ‘2018, o ano do sem’ – Parece Óbvio

  4. Se vc já estava pensando nesse calçado há tempos, talvez quando acabasse fevereiro vc ia sair correndo pra comprar. E aí não seria esse de 30ão. Ou seria mais caro, ou vc teria que fazer outra viagem pra ter a de 30, que no final sairia mt mais que 30. Saber aproveitar os achados, bons preços e as liquidações tb é uma forma de economia (se o orçamento permitir, claro). Só não use isso pra encher as sacolas de fast fashion não necessárias e que vc nem queria tanto assim. Fora isso, afaste o sentimento da falha. Deu tudo certo. Mais vale um gosto!

    • Oi, Silvia! Você resumiu perfeitamente a lição que eu tirei desse episódio. Realmente, quando a compra é consciente, de algo que nós estamos mesmo precisando, não tem nada de mal aproveitar a oportunidade! Obrigada pelo comentário ❤️

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