#20 Você não precisa disso

Estava eu na minha busca por conteúdo significativo na internet quando encontrei este vídeo da Jout Jout, no qual ela fala sobre a dificuldade que nós temos em trabalhar com autonomia, só nós mesmos e mais ninguém. Basicamente, a ideia que ela transmite é a de que desde cedo, ainda na escola, somos treinados para obedecer ordens e executar tarefas de acordo com o que os outros nos impõem, e que colocar em prática projetos nossos, estritamente pessoais, subverte toda essa lógica na medida em que não tem ninguém ali dando comandos ou nos dizendo o que fazer a seguir.

E o que resulta de todos esses anos de condicionamento para obedecer e seguir regras é que, quando não temos alguém nos cobrando por resultados, nós simplesmente relaxamos – ou, como ela diz no vídeo, “afrouxamos”. É difícil e até um pouco doloroso admitir, mas nos tornamos pessoas mais comprometidas com as ideias dos outros do que com as nossas próprias ideias. Isso porque, quando um projeto é nosso, nós somos 100% responsáveis por colocá-lo no mundo – e, se a gente não fizer nada, ninguém vai nos cobrar por isso. Ele simplesmente não vai existir. E só.

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Essa reflexão toda me colocou a pensar sobre muitas coisas que já tive vontade de fazer e não fiz. E se eu, que sou uma pessoa só, posso listar uma quantidade considerável de projetos meus que nunca saíram do papel, imaginem vocês quantas coisas bacanas não saem do plano das ideias devido a esse nosso modus operandi que só funciona quando tem alguém bafejando a nossa nuca cobrando resultados?

Eu sei que uso este exemplo com frequência, mas é o que temos pra hoje: vejam o caso do blog. Eu sou jornalista por formação, trabalho com a escrita no meu dia a dia e sempre tive vontade de produzir os meus conteúdos mas, mesmo assim, nunca tomava uma atitude pra fazer isso acontecer. Enquanto havia pautas, prazos e um colega me cobrando pela produção de algum texto, eu produzia. Mas quando era a vez de sentar em frente ao computador e encarar a tela em branco por mim mesma, simplesmente não rolava.

É claro que eu não estou dizendo que a falta de cobrança é o único motivo que nos impede de tocarmos os nossos projetos, pois com certeza existe um batalhão de outros porquês que também ficam por aí atravancando o nosso caminho. Mas eu realmente acredito que grande parte dessa frouxidão com as nossas coisas resida no fato de que não fomos ensinados a agir com autonomia e independência.

A gente precisa se libertar dessa necessidade de ter alguém nos cobrando pra que as coisas sejam feitas. Isso não nos falta – nós não precisamos disso. O que nós precisamos, isso sim, é de mais comprometimento com os nossos objetivos e as nossas vontades. E só.

E como eu acredito que dar-se conta de um problema é o primeiro passo para começar a resolvê-lo, ouvir essa reflexão me deu ainda mais motivos para estabelecer compromissos comigo mesma em relação a este blog e a outros projetinhos que em breve vocês vão ficar sabendo. Adoro essas injeções de ânimo!

E vocês, o que acham disso? Concordam com essas ideias ou tem outro ponto de vista?

(não deixem de assistir ao vídeo, é realmente muito bom!)



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