#14 Indo ao cinema

Há quem pense que adotar o minimalismo é optar por um estilo de vida radical, e que ser minimalista implica em abrir mão de tudo o que se tem e de tudo o que se gosta porque é assim que tem ser. Não que não existam pessoas malucas defendendo esse tipo de coisa por aí – tem louco pra tudo, né? -, mas a minha visão dessa filosofia passa bem longe da ideia de privação a qualquer custo.

Ser minimalista, pra mim, é saber identificar o que é essencial para a minha vida – o que pode, ou não, coincidir com o que é essencial para a vida de outras pessoas. Trata-se de uma caminhada muito pessoal, única. O que não tem importância para mim, pode ter muita importância pra você – e tudo bem! A ideia não é aderir a uma fórmula padrão, mas sim construir um estilo de vida que seja adequado às particularidades de cada um.

Vejamos uma atividade simples como ir ao cinema, por exemplo. Enquanto há pessoas que fazem questão de frequentar esse tipo de ambiente com frequência, há quem não sinta a mínima falta. E tá tudo certo! Não existe uma bíblia do minimalismo a obrigar as pessoas a abdicarem de tudo o que lhes dá prazer simplesmente porque sim. Se isso é importante pra você e faz sentido na sua vida, ótimo! Se não é, ótimo também!

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(Photo by Jake Hills on Unsplash)

A dificuldade está, justamente, em compreender o que é e o que não é essencial para a vida de cada um. Estamos tão habituados a viver com certas comodidades, que pode ser realmente difícil distinguir o que está lá porque tem que estar e o que poderia ser facilmente descartado. É uma descoberta que só se obtém com a experiência. É tentativa e erro.

Uma coisa que tem funcionado pra mim é mudar a forma como eu vivo certas experiências. Um bom exemplo disso é o caso do cinema. Enquanto em outras épocas essa era uma atividade que eu só considerava completa acompanhada de um balde de pipocas e outro de refrigerante, agora eu tento eliminar estes acessórios e viver o momento pelo o que ele realmente é – assistir a um filme em uma tela grande, em um ambiente diferente da sala de casa.

Parece pouco, e de fato é. Mas é no detalhe que começamos a sentir as diferenças. No último final de semana, eu e Henrique fizemos o teste: em vez de sucumbir ao cheiro (quase) irresistível da pipoca amanteigada, planejamos o nosso lanche antes mesmo de sair de casa; levamos o nosso chocolate (dois quadradinhos para cada um) e uma garrafinha de água com gás, o suficiente para entreter o nosso paladar durante o filme. E foi ótimo.

Viver a experiência de ir ao cinema de outra forma, por mais simples que isso pareça, me fez perceber o que é realmente essencial neste tipo de programa: um bom filme e uma boa companhia. E só! Eu não preciso comprometer a minha saúde e o meu bolso para me divertir. Eu posso reaprender a apreciar as coisas pelo o que elas realmente são, e não por todos os adicionais que me fizeram acreditar que elas deveriam conter.

Este é o meu jeito de ser minimalista. Que pode ser – ou pode não ser – o mesmo jeito de outras pessoas. Sem radicalismos, sem fórmulas prontas do tipo livre-se de tudo o que você tem. É simples, leve. Como uma tarde de domingo no cinema ao lado de quem a gente gosta.

E vocês, o que acham dessa ideia? Como aplicam o minimalismo no seu dia a dia?

 



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